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Tarte de Cogumelos e Cebolinho




Depois de uns dias de sol bem quentes, já de chinelos no pé e camisola de manga curta, de caminhadas à beira-mar, petiscos e refrescos, vieram dias de chuva, vento e frio.
A Primavera anda bastante indecisa este ano. Ora vem, ora abala. E nós ficamos com o sentimento de saudade presente. 
Regressam os casacos, as botas, e o guarda-chuva. A mantinha no sofá. E a vontade de ligar o forno e fazer comida que aconchegue. Comida de conforto, mas que tenha um ar primaveril, porque afinal é tempo dela, e lá fora há sinais que é Primavera. As flores que se espalham no jardim e canteiros, os morangos que crescem na terra, as cerejas que começam a aparecer à mesa em mãos cheias, e os alperces.




Algumas aromáticas também estão em flor. A salva, o tomilho e o cebolinho. Eu acho as flores de cebolinho a coisa mais linda da minha horta. Adoro a cor e o sabor (sim, comem-se!). Delicadas e lindas para servir em sopas ou em saladas por exemplo.
Não resisti a fazer uma tarte no forno, com cogumelos frescos e secos, e cebolinho, enfeitando no fim com as flores dele. Em tons de lilás.
Dá logo um ar festivo a qualquer refeição. A ver se volta o sol e o bom tempo!




Tarte de Cogumelos e Cebolinho
(adaptada do livro French Market Cookbook, de Clotilde Dusolier)

massa:
260 gr de farinha trigo sem fermento
1 colher (chá) de sal
1 colher (sopa) de sementes de sésamo
1 colher (sopa) de sementes de papoila
60 ml de azeite
1 ovo biológico
60 ml de água fria

recheio:
300 gr de cogumelos frescos
20 gr de cogumelos secos
1 cebola média finamente fatiada
fio de azeite
3 ovos
3/4 chávena de leite
1 colher (chá) de mostarda de Dijon
1 colher (chá) de paprika
sal e pimenta q.b.
20 gr de cebolinho fresco picado
flores de cebolinho para servir


Preparação

Colocar os cogumelos secos de molho em água quente, durante 30 minutos. Drenar ao fim desse tempo.
Preparar a massa, juntando numa taça a farinha, sementes e sal. Adicionar o azeite, o ovo batido e a água fria e começar a misturar. Colocar a massa numa superfície polvilhada com farinha e começar a amassar até formar uma bola homogénea. Adicionar mais água ou farinha caso seja necessário.
Estender a massa com um rolo, em forma de um quadrado fino e transferir a massa (com a ajuda do rolo) para uma forma de tarte untada com manteiga. Ajustar a massa à forma e cortar o excesso. Levar ao frio por 30 minutos. Depois picar a base com um garfo e levar ao forno pré-aquecido a 160ºC, durante uns 15-20 minutos.
Para o recheio colocar um fio de azeite numa frigideira e adicionar a cebola fatiada, deixando cozinhar até esta amolecer. Adicionar os cogumelos frescos fatiados e um pitada de sal. Deixar cozinhar até o líquido dos cogumelos evaporar. 
Numa taça bater muito bem os ovos com o leite, mostarda, paprika, sal e pimenta a gosto.
Retirar a tarteira do forno e aumentar a temperatura para 180ºC.
Colocar os cogumelos frescos e os secos sobre a massa, espalhando bem. Salpicar com o cebolinho picado e juntar a mistura líquida dos ovos.
Levar ao forno até cozer e dourar, ficando o recheio firme (uns 40 minutos). Servir quente ou morno com as flores de cebolinho.

Bom Apetite!




 

Tarte de Cenoura, Cheróvia e Cebola Assadas em Mel





Chega a minha mãe a casa num destes fins-de-semana com um saco cheio de cheróvias! Nem imaginam a minha surpresa e alegria. É engraçado como a comida, os novos ingredientes, coisas que habitualmente não cozinho nem encontro à venda, me surpreendem e fazem feliz.
Um saquinho cheio de cheróvias, apelidadas por ela de "cenouras brancas". É o suficiente para me fazer sorrir. E levar de imediato para a cozinha. Num dia de Inverno.
Recordei a banca da Popina em Portobello Road, e a tarte de abóbora, cheróvia e beterraba que comi. Um sonho provar as cheróvias (ou pastinacas) pela primeira vez. Lembro-me que queria trazer umas quantas do mercado, mas a pensar na bagagem do avião, deixei a ideia de parte.
Acabaram por chegar à minha cozinha, pelas mãos da minha mãe, que me consegue sempre surpreender.
E inspirada pelo livro da Popina, usei-as nesta tarte que servi num domingo de chuva a acompanhar um assado. Daqueles dias que pedem conforto. Um tabuleiro de legumes assados no forno a lenha com um toque de mel, enquanto se prepara uma massa de espelta integral e azeite. Forno com ela!






Tarte de Cenoura, Cheróvia e Cebola Assadas em Mel
(receita do livro Popina, de Isidora Popovic)

para a massa de espelta:
220 gr de farinha de espelta integral
1 colher (chá) de fermento
1/2 colher (chá) de sal
1 ovo batido
2 colheres (sopa) de azeite
60 ml de água quente

para o recheio e legumes:
200 gr de cenouras, cortadas em diagonal
200 gr de cheróvias, cortadas em palitos
200 gr de cebolas, cortadas em quartos
1 colher (sopa) de mel
1 colher (chá) de sal
40 ml de azeite
150 gr de iogurte grego natural
75 gr de queijo cheddar


Preparação

Começar por arranjar os legumes e pré-aquecer o forno a 200ºC.
Misturar as cenouras, cheróvias e cebolas num tabuleiro de assar. Adicionar o mel, sal e azeite e mexer até cobrir bem. Levar ao forno durante 30 minutos (eu usei o forno a lenha por isso, os tempos vão depender).
Retirar do forno e deixar repousar por 10 minutos.
Enquanto isso, preparar a massa. Misturar a farinha, fermento e sal numa tigela. Fazer um buraco no meio da mistura e juntar o azeite, ovo e água. Amassar todos os ingredientes à mão, até obter uma massa mole. Numa superfície ligeiramente enfarinhada, amassar durante alguns minutos. A massa deve estar mole mas não pegajosa. Caso esteja, adicionar mais um pouco de farinha e voltar a amassar.
Esticar a massa com um rolo de cozinha, de modo a ficar com 3mm de espessura, e transferir para uma forma redonda de fundo amovível, untada (ou uma tarteira). Não recortar o excesso de massa lateral.
Misturar o iogurte com o queijo ralado e espalhar sobre a base da tarte.
Por cima espalhar os legumes assados e recortar o excesso de massa em torno do rebordo.
Levar ao forno a 180ªC, por uns 30 minutos. Servir morna ou fria.

Bom Apetite!



 


Tarte Tatin de Tomate Cherry







Gosto de morar no campo e ter uma horta.  Cada vez mais. É onde me sinto em casa, onde me sinto mais eu, onde respiro e caminho ao sabor das estações. Gosto de estar aqui, às vezes longe de tudo. Mas sempre bem rodeada. Por aqui há ajuda e partilha entre vizinhos. Podemos contar uns com os outros, um verdadeiro apoio e amizade. 

E das nossas hortas há boas partilhas. De nossa casa saem ovos caseiros e limões, e os marmelos para a época das marmeladas. Do quintal da L. chegam as nabiças para a sopa, do pomar da T. chegam uvas docinhas para a sobremesa e da casa da S. e da C. chegam ainda morangos e tomates cherrys. Mesmo muitos! Que alegria em tons de vermelho.

Quando a Ondina me convidou para um guest post não tive dúvidas. Quis com ela partilhar um pouco disto. Destas histórias e sabores. Sei que se ela morasse mais perto ia adorar que eu lhe batesse à porta e oferecesse um saco de fruta do pomar ou uma destas tartes acabadinhas de fazer. 
Podem servir-se da receita nos Coentros e Rabanetes e bom apetite!