Há posts que demoram a ser escritos. Por não saber exactamente o que escrever. Por haver tanto a dizer que não cabe nestas linhas. Por ser uma aventura. Por serem coisas que nos marcam para sempre. Por serem especiais. Este é um deles.
Uma simples compota, eu sei. Mas que no fundo não é só uma compota. É o reviver de dias felizes (happy days, como diria o Jamie Oliver).
Há momentos na vida que são para serem vividos e partilhados. E foi o que aconteceu há pouco tempo. Uma food trip a Londres, em boa companhia. A
Maria João, a
Naida e a
Sandra foram as melhores companheiras desta aventura. Foi um realizar de sonhos, um conhecer Londres de uma perspectiva diferente, um mergulhar nas coisas que nos fazem bem.
Adorei cada sítio por onde passámos. Posso destacar sem dúvida a
Portobello Road. Começar a percorrer essa rua é um sem fim de coisas boas. De pequenos sítios que nos dizem tanto.
Ver as bancas do mercado, cheias de legumes e frutas frescas, o pão em pilhas, cogumelos lindos, imaginam a minha felicidade? Eu queria vir carregada com tudo! Curgetes amarelas, bróculos roxos, alcachofras de Jerusalém, cheróvias, lemongrass, spring onions, cenouras baby coloridas, coisas que só tinha visto em livros de culinária.
Os arandos frescos! Quando os vi agarrei-me a eles, e estes sim, vieram comigo na bagagem. Ácidos mas perfeitos para compotas de natal e mince pies da Nigella.
Eu sei, a Ginja vai a Londres e compra fruta? Sim, são estas pequenas coisas que me fascinam! Quem como eu é food geek percebe-me bem. Da Spice Shop que ficava ali vieram também coisas boas, especiarias e cheiros de encantar. E eu deixei-me encantar nesta rua. A aventura continuou por ela.
Percorrer esta rua é um despertar de sentidos. Ali há cores, há pessoas, há bancas cheias de coisas boas, há lojas que merecem visitas, há street food, há cheiros no ar.
Há a banca da
Popina! Com os petiscos, tartes e bolinhos dela. Que eu vi e já fiz do livro dela. E ali estavam, à espera de serem provados. Foi um sonho. Cada dentada.
A livraria
Books for Cooks, outra perdição. Onde as estantes e os dedos tocam os livros, só de culinária. Eu perdia-me ali por horas. A
Hummingbird Bakery, merece uma visita também se forem apaixonados por bolinhos e cupcakes.
A loja
Daylesford foi uma agradável surpresa. Produtos orgânicos, biológicos, legumes, padaria, pastelaria, num espaço harmonioso, cheio de livros de culinária lindos e inspiradores, com uma loja de produtos para cozinha de perder a cabeça (e foi mesmo!), com zona de café e restaurante, super agradável.
O
Ottolenghi merece uma visita, nem que seja para trazer um lollipop de framboesa. As saladas super convidativas e o espaço aconchegante pedem para ali ficar um pedacinho, a saborear o que se vê e come com os olhos.
As feirinhas de antiguidades, cheias de tralhas e peças interessantes espalham-se pelas ruas. O movimento aumenta pela manhã fora, e as ruas enchem-se de gente.
Ali bem perto fica o
Whole Foods Market, que recomendo mesmo! Mais um sítio para perder a cabeça, cheio de pordutos de qualidade, tudo o que possam imaginar.
Comida e mais comida. Mas é mesmo isso. Uma food trip. Que vai ficar para sempre nas nossas memórias.
E claro, se é para comer, é melhor comer em grande estilo e realizar mais um sonho, ir aos restaurantes do Jamie Oliver. Confesso que me perdi de amores pelo
Trattoria, e foi por um triz que não nos cruzamos com o Gennaro. Ali come-se primeiro com os olhos, saboreia-se cada garfada com prazer, a comida é maravilhosa, e na alma ficam as lembranças de cada prato.
Por isso não tenho fotos dos restaurantes, do que comi, porque quis saborear como gosto, guardando cada pedaço disso na minha mente. A comida servida em tábuas jamie style e made in Portugal, a melhor pizza que já comi com mozzarella fumado, cada sobremesa mais perfeita que a outra. O partilhar de cada prato entre as quatro. Foi a melhor maneira de o viver.
E claro, uns cursos de culinária no
Recipease vêm mesmo a calhar numa food trip. Aconselho muito quem tem esta mesma paixão a ir lá, entrar um bocadinho no mundo do Jamie, e fazer uma
lesson em grande estilo. A chef Antonia que nos recebeu tão bem, foi super prestável e acessível, adorei ter falado imenso tempo com ela sobre comida, sobre as paixões que nos movem, a fazer certas coisas, tão acertadas.
Bem sei, falta falar de Londres! Em si. Na cidade. Num mundo. Mas o que mais me moveu e adorei foram estes sítios, estes lugares, e o ter sido vivido ao lado das minhas meninas. Não poderia ter sido de outra forma. Obrigado a elas por me terem incentivado a ir, bem sabem como foi importante. E emocionante!
E depois de um post tão longo, ainda pode vir a receita? É uma compota simples, feita com os arandos frescos do mercado de Portobello Road. Fazia sentido entrarem no post de hoje, por todas as razões que já leram acima. Podem usá-lo para rechear pequenas tartes, tipo mince pies, very british e in season. Para já sirvo-a com torradas pela manhã, enquanto me lembro destes dias. Dias felizes.
Compota de Arandos Frescos
(inspirada no Nigella Christmas)
300 gr de arandos frescos
50 ml de vinho do Porto
150 gr de açúcar mascavado
1 pedaço (2cm) de gengibre fresco ralado
1 pau de canela
raspa e sumo de 1 clementina
1/4 colher (chá) de pasta de baunilha
2 colheres (sopa) de mel
Preparação
Num tacho colocar todos os ingredientes e levar ao lume, deixando a fruta macerar e os açúcares derreterem e tudo se envolver. Quando ferver, colocar em lume brando e mexer sempre até obter o ponto de compota (ponto de estrada), mais ou menos uns 20 minutos. Retirar o pau de canela.
Se preferir, pode passar com a varinha mágica para ficar mais homogéneo.
Servir fria, e guardar em frascos esterelizados no frio.
Bom Apetite!